Setor de energia renovável têm previsão de demanda zero

As listas de encomendas dessas empresas foram prejudicadas pela decisão do governo de cancelar leilões para novas ofertas de energia renovável neste ano.

Aumento da Energia Eólica

A demanda por eletricidade no Brasil está recuando diante da recessão mais severa da história do país, um desastre para as empresas que se estabeleceram no Brasil aguardando um boom na geração de energia renovável.

Fornecedoras de turbinas eólicas e de painéis solares como Weg, General Electric e BYD enfrentam a perspectiva de não terem literalmente nenhum pedido para suas fábricas brasileiras por até dois anos, em 2018 e 2019, depois que os contratos fechados nos últimos anos forem atendidos. As listas de encomendas dessas empresas foram prejudicadas pela decisão do governo de cancelar leilões para novas ofertas de energia renovável neste ano.

O problema fundamental é que as empresas de distribuição de energia do Brasil estão sobrecontratadas, considerando o recuo no consumo causado pela crise econômica do país, e as autoridades estimam que o excesso de oferta de energia continuará até 2020. Alguns fabricantes estão reconsiderando sua presença no país devido à perspectiva desanimadora, segundo Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, a ABEEólica.

“Eu já encomendei uma caixa de velas para rezar por um milagre”, disse João Paulo Gualberto da Silva, diretor de novas energias da Weg, que tem sede em Jaraguá do Sul, Santa Catarina, a única fornecedora brasileira de turbinas eólicas. Com tão pouca esperança por demanda doméstica nos próximos anos, a companhia busca garantir contratos do exterior pela primeira vez desde que entrou no negócio, em 2010.

Queda da demanda

O consumo de energia no Brasil caiu 2,8 por cento em outubro em relação ao ano anterior, com declínio de 6,9 por cento do uso comercial, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A economia encolheu 3,8 por cento no ano passado e deverá sofrer contração de mais 3,4 por cento em 2016. Por essa razão, o índice de desemprego disparou, a demanda (de consumo – excluir) foi esmagada e está difícil encontrar inquilinos para os imóveis de escritórios. Tudo isso faz com que o Brasil precise de menos eletricidade para a operação de fábricas e para manter as luzes acesas.

“O cenário econômico do Brasil piorou muito”, disse Luiz Augusto Barroso, presidente da EPE. “É difícil justificar a contratação de nova oferta.”

A última vez que produtoras de energia eólica e solar assinaram contratos de longo prazo para a venda de energia a partir de novos projetos foi em novembro de 2015. Neste ano, foram contratados apenas 709 megawatts de nova capacidade de energia elétrica, um oitavo da quantidade registrada há um ano, e esses contratos foram apenas para projetos hidrelétricos, de biomassa e de gás — primeiro ano em que o setor eólico não garantiu nenhum contrato no Brasil desde 2009.

“Existe muita incerteza agora a respeito do setor eólico no Brasil”, disse Rafael Santana, CEO da GE para a América Latina, a jornalistas em 16 de dezembro. “Uma coisa é ajustar as plantas para um novo nível de demanda. Outra coisa é quando você simplesmente não tem demanda.”

BYD, a fabricante de automóveis chinesa parcialmente detida por uma empresa de Warren Buffett, engavetou seus planos de duplicar a capacidade em uma fábrica de montagem de painéis solares no Brasil. A planta, com capacidade inicial de 200 megawatts, está programada para entrar em operação em fevereiro.

“Estamos preocupados com a abertura da fábrica”, disse Adalberto Maluf, diretor de novos negócios da BYD no Brasil. “Todos esses cancelamentos de leilões abalaram a confiança dos investidores.”

As informações são do site UOL Economia 

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