Tudo sobre scale-ups: as organizações que mais geram empregos no Brasil

O termo, pouco conhecido no Brasil, é usado para categorizar algumas organizações que ficam dentro do grupo das empresas de alto crescimento.

empreender

Com certeza você já ouviu falar em startups, mas e sobre uma tal de scale-up? O termo, pouco conhecido no Brasil, é usado para categorizar algumas organizações que ficam dentro do grupo das empresas de alto crescimento — negócios que crescem pelo menos 20% ao ano, por três anos consecutivos, em número de funcionários ou receita. Mas nem toda empresa de alto crescimento é uma scale-up. Algumas diferenças fazem com que ela se diferencie das demais e receba a definição de scale-up.

Nós, da Endeavor, acreditamos que um dos fatores que mais influenciam na diferenciação de uma scale-up é o modelo de negócio. Ela deve ter um modelo de negócio escalável, ou seja, que consiga ganhar tração ao longo dos anos. Em termos práticos, podemos dizer que são as empresas que conseguem aumentar a sua margem de lucro mais do que o número de funcionários.

Dentro das scale-ups também encontramos um perfil empreendedor bem específico: o de alto impacto. Diferentemente dos demais empreendedores, esse grupo se preocupa com o impacto do seu negócio na sociedade e acredita muito no give back, ou seja, retribuir, de alguma forma, a ajuda que recebeu durante a sua jornada empreendedora. A mentoria é uma das formas mais utilizadas por empreendedores, mas também existe a possibilidade de investir em novas empresas ou até mesmo ajudar em conselhos. Vale lembrar que nem toda scale-up é liderada por um empreendedor de alto impacto.

Mas, voltando um pouco aos números, o Brasil tem cerca de 32 mil scale-ups, menos de 1% do total de empresas do país, e apesar disso, elas são responsáveis por quase 50% dos novos empregos gerados. É isso mesmo que você leu: menos de 1% das empresas é responsável por quase metade dos novos empregos no país. E os números não param por aí, segundo um estudo feito em 2015 pela Endeavor, as scale-ups contratam, em média, 31,3 novos funcionários por ano, sendo que a média do restante das empresas é de apenas 0,34.

Depois de saber tudo isso, que tal entender melhor as características, barreiras e conquistas dessas empresas?

Um raio X das scale-ups brasileiras

Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro que scale-ups não são apenas grandes empresas. Ao contrário: 92% são pequenas e médias (PMEs). Além disso, as empresas de alto crescimento, em média, são mais jovens que as demais empresas, mas isso não quer dizer que elas sejam novas. No Brasil elas têm, aproximadamente, 13,9 anos. Na prática, é mais comum encontrar empresas com mais de 26 anos de experiência (12,46%) do que aquelas que possuem até 5 anos de mercado (12,29%). Em outras palavras, empresas como o Facebook, que cresceram de forma muito acelerada poucos anos depois da sua criação, são as exceções quando o assunto é scale-up.

Outro grande mito sobre scale-ups é a crença que elas têm maior presença em setores high tech. As empresas de alto crescimento estão presentes em todos os setores, do varejo à indústria tecnológica, da construção civil aos transportes! E elas também estão espalhadas por todo Brasil. Das 5.000 cidades brasileiras, mais da metade — 2.806, exatamente — são sedes dessas empresas que crescem muito, sendo que 60% das scale-ups do país estão presentes em cidades com menos de 500 mil habitantes.

Como podemos ver, as scale-ups não nascem somente em grandes cidades. Na verdade, algumas das maiores densidades de scale-ups encontram-se, por exemplo, em Guarulhos (SP), Jaboatão dos Guararapes (PE), Duque de Caxias (RJ), Aparecida de Goiânia (GO), Camaçari (BA), Ananindeua (PA) e Contagem (MG). Por mais que estar perto de grandes metrópoles ajude seu negócio, o alto crescimento é resultado de vários fatores, desde inovação até a gestão de recursos técnicos e financeiros. E, além disso tudo, existe um fator essencial: a ambição.

Uma pesquisa feita pela Endeavor e pelo Datafolha, com quase mil empreendedores, identificou, em 2016, que os empreendedores que crescem mais e por mais tempo tendem a encarar a crise de forma diferente. A maioria, que não cresce, crê que a crise influencia em 60% dos resultados, e a competência da empresa é responsável pelos outros 40%. Já os que estão crescendo muito, a taxas que superam 40% ao ano, acham o oposto — seus resultados são obtidos majoritariamente pelo esforço da companhia. E a visão de futuro do empreendedor tem uma relação direta com o ritmo de crescimento de suas empresas.

A maioria dos empreendedores brasileiros (46%) espera que, no futuro, suas empresas sejam apenas uma fonte de renda, já os empreendedores de alto crescimento planejam que suas empresas sejam as maiores (52%) e melhores dos seus setores (84%). Além disso, enquanto a maioria dos empreendedores de alto impacto (54,8%) esperava, até o final de 2016, aumentar o número de funcionários, o índice entre outras empresas era de apenas 22%.

Os empreendedores de alto crescimento também compartilham mais seus desafios com outros empreendedores e mentores. Segundo a pesquisa de Desafios do Empreendedor, 61% acreditam que mentores os ajudam muito nos desafios da empresa. Essa mistura de saberes pode fazer com que decisões e estratégias do negócio sejam mais assertivas. Além disso, scale-ups têm, em média, o dobro do número de sócios (2,32) em comparação com a média geral das empresas brasileiras (1,18).

Os sócios e mentores têm um impacto muito positivo nos negócios, mas, para Cássio Spina, eles foram essenciais. Neste artigo, Cássio conta que só obteve sucesso ao abrir sua segunda empresa, a qual iria atuar com uma linha de negócio totalmente nova para e muito mais complexa, porque contou com a ajuda de mentores e conselheiros. A experiência impactou tanto a sua vida que, depois de algum tempo, ele tornou-se mentor “Depois de todas estas experiências positivas, pela importância que percebi dos mentores/conselheiros/advisors e investidores foi que eu acabei me tornando um mentor”.

E, se você está à procura de um mentor ou sócio, Cássio também separou algumas dicas de como encontrá-los. “Você pode procurar na sua rede de contatos ou usar ferramentas como o Linkedin. QUando encontrar alguém com fit, você deve observar as seguintes características: empatia; experiência — a pessoa deve ter uma carreira sólida e com resultados comprovados, bem como experiência em atuar como mentor; relacionamento — um dos grandes valores agregados do mentor é sua rede de contatos; disponibilidade.

Dicas para se tornar uma scale-up

Se você acredita que sua empresa tem potencial para se tornar uma scale-up, as dicas abaixo podem ajudar a tornar esse crescimento ainda mais rápido:

1. Um pouco de experiência nunca é demais: trabalhar em grandes organizações ou dentro de algum setor específico pode agregar uma experiência muito importante na hora de empreender. Segundo um estudo realizado pela Endeavor Global, 70% dos empreendedores de alto crescimento tiveram algum tipo de experiência e afirmaram que o conhecimento adquirido ajudou no crescimento do negócio e também na definição da estrutura organizacional.

2. Comece pelo que você conhece: por mais que seja tentador procurar pelo mercado que mais cresce na hora de começar a empreender, na maioria dos casos essa não é a melhor ideia. O filme Joy, que conta a história de uma mulher que cria um produto com base na sua experiência, é um grande exemplo do que estamos falando: comece por algum setor/mercado que você já esteja familiarizado e só depois explore novas áreas. Um estudo realizado em 2011 apontou que 90% das empresas de alto impacto usaram este processo para começar seu negócio.

3. Não esteja “amarrado” ao seu plano de negócios: por mais que ter um bom plano de negócios seja essencial, sua empresa não precisa ficar engessada por ele. Em vez de colocar toda sua energia na elaboração do plano, foque no seu modelo de negócio e, claro, esteja sempre disposto a revê-lo. 2/3 dos empreendedores de alto impacto não tiveram, formalmente, um plano de negócios e pelo menos 45% mudaram o seu modelo de negócio pelo menos uma vez.

4. Encontre sócios e cofundadores em quem você confie: encontrar alguém que compre seu sonho pode ser uma tarefa desafiadora, mas se você não tiver ao seu lado pessoas em quem confia de olhos fechados, há grandes chances de essa parceria não funcionar. 3/4 dos empreendedores de alto impacto se associaram com pessoas com quem já tinham trabalhado anteriormente, o que facilitou bastante no quesito confiança.

5. Correr riscos só até a página dois: correr riscos, apostar e sonhar grande são características presentes em quase todo empreendedor, mas isso não significa jogar tudo para o alto sem se planejar. É sempre importante ser muito estratégico na hora de escolher quais riscos você vai correr com o seu negócio. 95% dos empreendedores de alto impacto não arriscaram perder seus bens, como casas e apartamento, e 85% se planejaram para dar conta das suas demandas básicas por um ano ou mais antes de empreender.

6. Procure fontes de investimento: por mais que o sonho seja seu, isso não quer dizer que só você tem que bancá-lo. Procure o dinheiro de outras pessoas! Podem ser bancos, familiares, fundos de investimento e por aí vai. 94% dos empreendedores de alto impacto procuraram múltiplas formas de financiamento. Se você não sabe ao certo por qual caminho seguir, este artigo, com as principais dúvidas dos empreendedores sobre acesso a capital, pode ajudar.

7. Comece pequeno, mas sonhe grande: no começo, foque em fazer sucesso e se consolidar localmente, mas nunca deixe de pensar no seu futuro. 80% dos empreendedores de alto impacto começaram em escala regional e depois expandiram para outros locais. É importante sempre ter em mente um plano de expansão, estudos apontam que as empresas internacionalizadas têm mais chances de se tornarem scale-ups.

Sonhar grande faz muito diferença, um estudo realizado em 2016 deixou claro que a percepção dos empreendedores de alto crescimento sobre a crise era totalmente oposta a de outras empresas. Enquanto a maioria dos empreendedores gerais culpavam a crise pela sua falta de crescimento, as scale-ups procuravam pontos de melhoria, pois acreditavam que eram seus próprios gaps que impediam o crescimento. Neste artigo explicamos mais detalhadamente sobre o assunto.

8. Criar, testar e lançar: tem uma ideia incrível? Então não espere muito para colocá-la no mercado. A gente sabe que antes de lançar um produto ou serviço é preciso testar hipóteses, validar e ouvir o feedback dos consumidores, mas isso nunca pode se tornar uma barreira dentro do negócio. Agilidade em lançar produtos, corrigir erros e buscar melhorias contínuas são fatores que influenciam seu sucesso. Um estudo da Endeavor Global apontou que 80% dos empreendedores de alto impacto lançaram seu primeiro produto em 6 meses!

9. Pequenos insights podem gerar grandes resultados: inovar nem sempre é criar algo do zero. Na verdade, a maioria das inovações é uma adaptação dos produtos e serviços que já existem. E quem melhor do que seus clientes para trazer insights do que pode ser melhorado? Nunca deixe de ouvir feedbacks dos seus consumidores — esse tipo de informação é valiosíssima. 70% dos empreendedores de alto impacto apostaram em inovações “pequenas”.

10. Entenda seu fluxo de caixa: não tem jeito, você precisa saber muito bem o que entra e o que sai do seu caixa, além de como o dinheiro circula dentro da sua empresa. Pode parecer algo chato e muito técnico, mas esse conhecimento faz toda a diferença. 70% dos empreendedores de alto impacto tinham um conhecimento detalhado e profundo sobre seu fluxo de caixa. Se este é um desafio para sua empresa, este artigo pode ajudar.

11. Saiba gerir e engajar pessoas: ser um bom gestor ajuda não só na hora de vender o sonho ao time, mas também a escolher quais as melhores estratégias para cada fase do negócio, principalmente nas de crescimento mais acelerado. 73% dos empreendedores de alto impacto acreditavam que tinha boas habilidades de gestão; em outros empreendedores a taxa era de apenas 29%.

12. Crescer sem perder a essência: existem diversos formas de expandir o seu negócio. Independentemente de qual você escolher, tenha sempre em mente o core do seu negócio. 57% das scale-ups cresceram expandindo o seu core business e sempre focando em ganhar escala. E aqui vale lembrar que se concentrar no seu core business não deve ser confundido com não adaptar o seu modelo de negócio às necessidades de um mercado específico.

13. Cair e levantar: empreender não é uma tarefa fácil, muitas vezes é preciso ter coragem para enfrentar o que vem pela frente. A forma como os empreendedores encaram o fracasso também influencia muito nas possibilidades da empresa se tornar uma scale-up. A resiliência de que tanto falamos faz com que o empreendedor fique mais forte e aprenda com seus erros.

As informações são do site Endeavor Brasil 

Leia também