METODOLOGIA DE GESTÃO DE PROJETOS: Ferramenta de Planejamento na Formação de Professores

A educação Profissional está organizada dentro de um Sistema que interage com outros vários e diferentes Sistemas.

O modelo Sistêmico de agir e pensar valoriza estas interações e congruências, sendo que, cada nível e modalidade da educação nacional tem o seu grau de valor e importância.

Ademais, houve uma mudança de modelo mental onde as Instituições de Ensino, frente às características do mundo de trabalho atual, precisam readaptar sua grade curricular às exigências pragmáticas do mercado, uma vez que, o foco nos resultados tornou-se a vantagem competitiva a ser conquistada dia-a-dia.

Cabe ressaltar que, este é o grande desafio da educação profissional, formar, preparar, educar professores aptos, criativos e inovadores que construam conhecimentos aplicados em situação real de trabalho. Diante do exposto, demonstrar a funcionalidade da metodologia estruturada no gerenciamento de projetos, apresenta-se como uma estratégia para inovar e envolver os Professores e Lideranças no reconhecimento das limitações dos próprios saberes, para executar as tarefas propostas. Além de, promover uma prática coesa orientada a resultados mais padronizados, fortalecidos por processos bem definidos e, principalmente pela troca de conhecimento entre as disciplinas e os respectivos professores.

Palavras-chave: Interdisciplinaridade; Formação; Metodologia de Gestão de Projetos

INTRODUÇÃO

No contexto Educacional, inovar atualmente significa renovar modelos estáticos e quebrar paradigmas sustentados há anos por uma percepção autoritária e centralizadora. Portanto, inovação educacional é a ação do bem educar, formar e transformar práticas pedagógicas que qualifiquem o processo de ensino e aprendizagem, tendo como princípio valores que ajudem a nortear o desenvolvimento pessoal e profissional do corpo docente, para combinar conhecimentos que necessitam ser compactados e unificados, garantindo o sucesso do trabalho interdisciplinar. Para isso, além de admitir limitações, é necessário sair da “zona de conforto” para ingressar nas novas “zonas de oportunidades”.

Não existem disciplinas que sejam por natureza mais “formativas”, “críticas”, “fundamentais”, “reflexivas” ou “abrangentes” do que outras, estes atributos precisam ter significação entre as pessoas ou grupos e não com áreas de conhecimento ou atividade profissional. É a volta às raízes, esse “re-nascimento” da visão holística do mundo, que constitui a essência da interdisciplinaridade, como destaca Fazenda (1999, pg.49)

Ser interdisciplinar é saber que o universo é um todo, que dele fazemos parte, como fazem parte do oceano as suas ondas. Num momento a própria substância oceânica se encrespa, se agita, toma forma e se diluem sem jamais ter-se do seu lado separado ou ter deixado de ser o que sempre foi.

Criação da Metodologia de Gestão de Projetos 

Cada Instituição de Ensino possui um perfil perante o mercado, uma personalidade, que pode ser observada quando nos relacionamos com os funcionários, professores, clientes, alunos, ou quando há uma decisão importante a tomar, nos critérios de promoção, enfim no dia a dia de trabalho. As Escolas têm também seus mitos, seus heróis, ícones que possuem características que as diferenciam na disciplina, na hierarquia, autonomia, decisão, etc. Com estes fatores criam sua personalidade, seu tipo psicológico, suas características próprias que são sinais nos quais exteriorizam a sua cultura. E neste cenário cultural, influenciados pela estrutura organizacional dizer para uma Instituição de Ensino que ela necessita de uma nova metodologia de trabalho, com uma nova estrutura para gerenciar seus projetos, na compreensão da unidade e não da fragmentação das disciplinas, é um tanto quanto desafiador.

Ademais, nem todos estão aptos a mudanças, e para realizar qualquer “change management”, seja implantar uma nova metodologia de gestão de projetos (quadro 1), novos processos, ou um novo modelo de estratégia na Formação de Professores. Esbarra diretamente na questão cultural, sendo necessário procurar entender seus padrões e as pessoas, de forma a criar mecanismos que rompam os paradigmas e quebrem os modelos mentais que emperram os grandes saltos estratégicos e de inovação tão almejados pelas Instituições de Ensino.

Quadro 1 – Fases da Metodologia de Implementação

A Metodologia por definição, significa a investigação dos métodos ou receita para as etapas a serem seguidas em um determinado processo, e são fundamentais para o desenvolvimento dos projetos, desde que bem aplicados, de acordo com as demandas internas da Instituição de Ensino, e da complexidade do projeto em questão. Gerenciar Projetos envolve pessoas, processos e ferramentas as quais endereçam conhecimento tácito e explícito. Além de fornecer modelos e melhores práticas (ativos), lições aprendidas (conhecimento tácito – processo onde o conhecimento é entendido e aplicado, derivados da experiência e ação) com outras disciplinas e treinamentos. Disseminar este conhecimento para que a Escola aprenda com a própria experiência, ratifica a premissa de que gerir Projetos requer gerir conhecimentos.     

Por conseguinte, a combinação de fatores entre metodologia de gestão de projetos e interdisciplinaridade na formação de professores, consolidará fundamentos na construção de uma nova gestão educacional, garantindo a credibilidade de seus serviços de forma eficiente e eficaz, focados em benefícios tecnológicos e sócio-político-culturais para a sociedade. Contudo, pretende-se demonstrar que trabalhar segundo uma metodologia de gerenciamento de projetos é essencial para fazer da prática pedagógica instrumento de modificação da realidade.

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Lilian Treff

Lilian Treff

Especialista em Gestão de Projetos (PMI) - Treinamento e Desenvolvimento: Mestrado Profissional em Gestão Empresarial, Especialização em Gestão de Projetos, Pós-Graduação em Didática do Ensino Superior e Graduação em Pedagogia (Licenciatura Plena). Certificada Personal & Professional Coaching (SBC) e Líder Coach (SLAC). Destacada experiência nacional e internacional de 15 anos em cargos de liderança na área de Gestão de Projetos, Treinamento & Desenvolvimento, Planejamento Estratégico e Gestão de Pessoas. Autora do Livro INOVAÇÃO EM GESTÃO DE PROJETOS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (Brasport, 2013). Co-autora de uma patente (aplicando metodologia de gestão de projetos), do Registro de Programa de Computador – Sistema de Gestão de Resultados (SGR), com a Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” - UNESP, junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI (AGÊNCIA UNESP DE INOVAÇÃO-AUIN). Condecorada "Comendadora" Profissional do Ano - PRÊMIO EXCELÊNCIA E QUALIDADE BRASIL 2017, na Categoria "TREINAMENTO EM DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL DE ENSINO & CIDADÃO”, pela Associação Brasileira de Liderança.